Rede Fetal Brasileira

(Síndrome de transfusão feto-fetal - STFF)
Transfusão entre gêmeos

Gêmeos idênticos podem trocar sangue entre si sendo necessário separar, através de cirurgia endoscópica fetal, as conexões placentárias responsáveis pela troca . Sem terapia, os casos graves tem 10% de chance de sobreviver, com a terapia através da coagulação a laser dos vasos comunicantes na superfície da placenta a sobrevida de pelo menos um dos fetos chega a 80%.​

 

A síndrome de transfusão feto-fetal (STFF) ocorre em 15 a 20% das gestações monocoriônicas, estimando-se portanto uma incidência de aproximadamente 1 em cada 1500 gestações​.

 

A troca de sangue entre eles, leva um feto a se tornar "doador" (anêmico e com pouco líquido amniótico) e o outro "receptor" (policitêmico e com excesso de líquido amniótico), nesta situação ambos ficam submetidos a sobrecarga cardíaca, correndo risco de vida.

 

O diagnóstico é realizado através de ultrassonografia obstétrica a partir de 16 semanas, quando se observa discrepância de volume de líquido entre as bolsas, polidrâmnio em uma e oligoâmnio na outra, além de discrepância também entre os volumes das bexigas fetais. No primeiro trimestre (11 a 14 semanas) já podem surgir sinais de alto risco, como uma grande diferença entre a medida da translucência nucal dos fetos.

 

A fisiopatologia desta síndrome decorre do desequilíbrio no fluxo sanguíneo entre as anastomoses placentárias de grosso calibre, tornando um feto doador (anêmico, oligúrico) de sangue para o outro que será o feto receptor (hipervolêmico, poliúrico).


O quadro clínico se apresenta como quantidade de líquido amniótico discrepante entre as bolsas, sendo que o maior bolsão do feto receptor tem que medir mais que 8,0 cm no maior diâmetro, e o do feto doador, menos que 2,0 cm. Discrepância entre as bexigas, uma muito cheia e outra muito vazia. O estadiamento varia de 1 a 5 dependendo da gravidade da doença.

 

O diagnóstico diferencial da transfusão feto-fetal pode ser difícil, mesmo para o operador mais experiente. Desta forma, sempre que houver discrepância entre as bolsas de líquido amniótico em caso de gestação gemelar, recomendamos a avaliação por profissional especializado em medicina fetal.
 

Critérios de indicação de tratamento cirúrgico fetal - se atingir os critérios expostos acima (sequência polidrâmnio/oligoâmnio) está indicado com o objetivo de fazer cessar a troca de sangue através de coagulação das anastomoses placentárias.

Síndrome de transfusão feto-fetal.
Feto doador pequeno com líquido reduzido (stuck-twin).

Fetoscopia para tratamento da síndrome de transfusão feto-fetal.

Placenta na gestação monocoriônica demonstrando as comunicações vasculares entre os cordões umbilicais.

Ultrassonografia mostrando o fetoscópio dentro da cavidade uterina

Imagem ao vivo do vaso placentário após a sua coagulação

Feto doador aprisionado junto à parede anterior do útero com a bexiga pequena

Feto receptor no qual se observa a bexiga grande e cheia, associada a polidrâmnio

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